Em Direito: Docentes e alunos adaptam-se rapidamente ao ensino online

Na Faculdade de Direito, os docentes precisaram de reinventar os seus métodos de ensino e adaptar os conteúdos para o meio digital, tendo sempre em conta as necessidades dos seus alunos. Após a fase de testes, em apenas dois dias, todos os docentes estavam preparados para lecionar aulas a partir de casa.

Relembrando que “nos períodos de grande crise, há sempre um conjunto de avanços proporcionados pela criatividade e engenho da necessidade”, Nuno Brochado, aluno do 2º ano da dupla licenciatura em Direito e em Gestão, ficou entusiasmado com o conceito do ensino online devido ao potencial que apresenta: “Não há dogmas ou bóias ou expectativas a que nos agarrarmos. É tudo novo. Posso, entre outras coisas, ter as minhas canetas à mão, os meus livros ao pé e as janelas escancaradas sem que ninguém venha reclamar do frio.”

A docente Catarina Santos Botelho aventurou-se no ensino online com alguns receios: “Como é que vou manter uma turma interessada? Ficarão os alunos facilmente entediados?”

Apesar da apreensão inicial, rapidamente se adaptou ao digital, percecionando-o como uma “ferramenta preciosa para o mundo pós-Covid 19” como alternativa de ensino em momentos que os docentes precisam de se deslocar ao estrangeiro para participar em congressos. A docente de Direito Constitucional recorda o desafio de conciliar a vida profissional e a vida pessoal numa das suas aulas, quando o seu filho de 6 meses começou a chorar pelo que não teve outra opção senão continuar a lecionar com ele ao colo: “Estes pequenos momentos, que outrora seriam, quiçá, perspetivados como falta de profissionalismo são hoje encarados como normais".

Para José da Costa, aluno do 4º ano da dupla licenciatura em Direito e em Gestão, a adaptação foi tranquila pois sentiu “um impacto muito reduzido” a nível de aprendizagem, admitindo que até prefere este novo método. O estudante reforça que os professores “foram incansáveis” na forma como se adaptaram à nova estratégia de ensino: “As aulas continuam a ser dinâmicas e interativas, os materiais de estudo permanecem iguais e vão sendo disponibilizados e os modelos de estudo - como os programas se mantém inalterados - são os mesmos.”

O docente Tomás Maria Tavares admite que as aulas online foram um grande desafio “sobretudo para os professores”, apesar de ter conseguido programar cada aula rapidamente. Para o docente de Direito Fiscal, o processo de adaptação para o digital passa por gesticular e falar como se estivesse em aula presencial, confessando que sente “muitas saudades de estar com os alunos: da sua alegria, jovialidade e, porque não dizê-lo, da sua proporcionada irreverência.”

Rita Gonzalez, aluna do 1º ano de mestrado em Direito com especialização em Direito Criminal, refere que a maior dificuldade é manter a concentração fora do contexto do ensino presencial, apesar dos esforços dos docentes em “fazerem de tudo” para que os alunos sintam poucas alterações na aprendizagem que é feita através de meios digitais.

Por outro lado, Rita Menezes, aluna que está a frequentar o 3º ano da Licenciatura em Direito, apercebeu-se que tem mais facilidade em adquirir conhecimento neste novo modelo: ”Consigo reter melhor a matéria online do que presencialmente devido ao som da voz do professor. Além de ser mais fácil captar as ideias, também me dá mais foco.” Ainda assim, a estudante do curso de Direito, admite que o paradigma clássico de ensino permite um maior desenvolvimento de ferramentas de comunicação.

Agora que os docentes e alunos estão familiarizados com a nova dinâmica de ensino, abrem-se inúmeras possibilidades de interação e partilha entre eles.

Março 2020